APELO AO PR JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS. O banco millennium Angola na rua rei Katyavala roubou-nos o terreno e nele montou um gigante gerador que dia e noite nos mata com fumo mortal. Não se justifica este crime horrível porque há energia eléctrica. Os moradores já se queixaram mas em vão. Já há anos que vivemos de janelas e portas fechadas. Apelamos para que V. Ex.ª ordene o fim imediato deste crime e que os culpados sejam enviados para a justiça e que os lesados recebam as devidas indemnizações.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Julgamento sobre "Diamantes de Sangue" Adiado para Março





Maka Angola

O julgamento do autor do livro Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola, Rafael Marques de Morais, previsto para 15 de Dezembro, foi adiado para 24 de Março de 2015. O autor é acusado de denúncia caluniosa, por ter exposto abusos contra os direitos humanos na região diamantífera da Lunda-Norte.

A defesa do autor, patrocinada pelo advogado Luís Nascimento, requereu o adiamento do julgamento, em virtude, sobretudo, de as suas testemunhas, residentes na Lunda-Norte, não terem sido notificadas para o efeito.

Na próxima semana, o tribunal deverá notificar formalmente a defesa sobre o adiamento, dando seguimento à comunicação verbal recebida hoje pela defesa.

Entre os queixosos contam-se sete generais, liderados pelo ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do presidente da República, general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”. Os restantes generais, que desfilarão no Tribunal Provincial de Luanda na qualidade de queixosos, são Carlos Alberto Hendrick Vaal da Silva (inspector-geral do Estado-Maior General das FAA), Armando da Cruz Neto (deputado do MPLA), Adriano Makevela Mackenzie, João Baptista de Matos, Luís Pereira Faceira e António Emílio Faceira. Representantes da direcção de duas empresas diamantíferas, sócias dos generais, nomeadamente a Sociedade Mineira do Cuango (SMC) e a ITM-Mining, também constam da lista de queixosos.

Os Poderosos e a sua Capacidade de Manutenção do Medo em África





Rafael Marques de Morais
MAKAANGOLA.ORG

Os estadistas mais antigos da região: Dos Santos (35 anos), Rei Mswati III (28) e Robert Mugabe (34).
Em primeiro lugar, gostaria de partilhar convosco a minha história com Carlos Cardoso, o grande amigo que nunca tive oportunidade de conhecer pessoalmente.

Em 1999, quando fui preso em Angola por chamar o presidente Dos Santos de ditador e corrupto, Carlos Cardoso foi um elemento essencial na mobilização de advogados, jornalistas e moçambicanos interessados em prestar-me o seu apoio.

Depois de eu ter sido libertado, iniciámos uma correspondência regular de e-mails que foi muito para além das minhas batalhas legais, da minha condenação, perseguição política e interdição de viajar. Estendemos a conversação ao propósito de nos aliarmos com o objectivo de expor as hordas de corrupção nos nossos países. Acreditávamos em conquistar o espaço público para que nele a liberdade de expressão e de imprensa pudessem assentar raízes.

Tornámos nossa e pessoal, essa luta pelo espaço público. Enquanto o Carlos desbravava terreno trabalhando a tempo inteiro como jornalista, eu dirigia uma organização internacional que, entre outras coisas, prestava suporte aos órgãos de comunicação independentes que então começavam a emergir. Continuei a escrever com vista a catalisar a opinião pública.
Prometi ao Carlos que, assim que me fosse permitido viajar, Moçambique seria a minha primeira paragem, para finalmente poder conhecê-lo, agradecer-lhe pessoalmente e elevar a nossa “conspiração” a um outro patamar.

Mantive a minha promessa, mas já só cheguei a tempo de dar as minhas condolências à viúva. Tinha-me sido finalmente permitido viajar dois meses após o Carlos ter sido brutalmente assassinado, em Novembro de 2000.

Apesar de ter recebido muitos apoios a nível internacional, a solidariedade do Carlos foi a mais inspiradora para mim. Era um profissional cujo trabalho – denunciar a corrupção e outros podres dos líderes moçambicanos, bem como dos seus homólogos da indústria e do mundo dos negócios – colocou a sua vida em risco. No entanto, ele foi meu companheiro de luta. Travávamos a mesma guerra e ele protegia-me. Eu não consegui protegê-lo. Hoje, no entanto, o meu trabalho enquanto jornalista de investigação está todo ele impregnado do seu legado, assim como do legado do meu compatriota Ricardo Melo, cuja vida foi também ceifada demasiado cedo enquanto, em 1995, investigava a corrupção e outros crimes dos dirigentes angolanos.

Estou aqui hoje para falar de liberdade de expressão enquanto luta, em países onde a cúpula dirigente e outros poderosos têm vindo a operar acima da lei; para quem a lei é um instrumento de poder privado. São estes os poderosos que prosperam mediante a sua capacidade de manutenção do medo.

Estou aqui hoje para falar sobre a coragem, a liderança e a solidariedade imprescindíveis a quem queira derrubar as muralhas do medo, e com elas os seus perpetradores.
(...)
O texto integral, apresentado na Universidade de Witwatersrand, na África do Sul em memória do jornalista moçambicano Carlos Cardoso, encontra-se disponível aqui.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Polícia do Rio prende assassino em série que afirma ter matado 42 pessoas




A horripilante história de Saílson José das Graças, de 26 anos, assusta o Rio de Janeiro

Pedro Cifuentes Rio de Janeiro

Tem apenas 26 anos, mas alega ter matado 42 pessoas. Segundo a polícia, é um "assassino profissional". Matou pela primeira vez aos 17 anos. Suas vítimas prediletas eram mulheres (brancas) da Baixada Fluminense: confessa ter acabado com a vida de 38 delas, de todas as idades e condições, além de ter assassinado um bebê e três homens. Matava por encomenda, "mas também por prazer", segundo reconheceu, algemado e tranquilo, em uma entrevista assustadora na manhã desta quinta-feira à TV Globo na Divisão de Homicídios da região no Rio de Janeiro. "Quando ficava dois meses sem matar, começava a ficar nervoso", disse mais tarde a uma multidão de jornalistas atônitos.
A história horripilante de Saílson José das Graças corre pelo Rio de Janeiro. A polícia, que liga ao assassino em série confesso as mortes de ao menos quatro mulheres, vasculha a região em busca de provas que confirmem um histórico criminoso de nove anos. "Não sei se foram 38 mulheres executadas por ele", afirmou o delegado titular da Divisão de Homicídios, Pedro Medina, "mas, até agora, tudo nos leva a crer que se trata de uma história verídica. Ainda não encontramos contradições."
Agentes policiais encontraram no momento da prisão, na quarta-feira, o facão utilizado por Saílson para matar sua última vítima, Fátima Miranda, de 62 anos, no município de Nova Iguaçu. O depoimento apresentado deixou a polícia em choque. Não havia nem mesmo investigação aberta para muitas de suas vítimas, e as autoridades pediram publicamente a colaboração de familiares de mulheres que tenham morrido apunhaladas ou estranguladas nos últimos sete anos. A apresentação pública do criminoso, nesta manhã, tem (além do espetáculo midiático criado) o objetivo de tornar seu caso o mais conhecido possível entre a população fluminense.
O assassino em série colaborou, desde o começo, com o que foi apresentado e mostrou uma frieza desconcertante em sua entrevista. Descreveu, inclusive, seu modus operandi: "Observava a vítima, estudava. Esperava um mês, às vezes uma semana, dependendo do lugar. Procurava saber onde morava [a vítima], como era sua família... Passava um bom tempo, esperava, e de madrugada entrava na casa", afirmou, com a maior serenidade. "Matava sem a menor preocupação de ir para a cadeia. Fazia as coisas bem feitas, por vontade. [...] Usava luvas. Não levava documentos nem nada que pudesse deixar pistas [...] Só me preocupava com a digital, as câmeras". O ainda suspeito admitiu, no entanto, ter sentido arrependimento após a morte do menino de dois anos, cujo choro durante o assassinato de sua mãe o "obrigou" a executá-lo "para que os vizinhos não escutassem".
O homem afirmou também que não escondia os corpos e dividiu os assassinatos cometidos por encomenda (a base de punhaladas) e os motivados por puro "prazer" (por estrangulamento): a polícia disse que o preso gostava de ver as mulheres agonizarem "com os olhos abertos". Outra distinção ele fazia pela cor da pele: "Não matava negras porque é a minha cor e da minha família", afirmou, sem perder a calma.
Junto com Saílson foi presa sua companheira, Cleusa Balbina, de 42 anos, e José Messias, de 55, suspeitos de encomendar o assassinato de Fátima Miranda. Classificado como "psicopata" pela polícia, o preso afirmou: "Se eu sair daqui a uns 10, 15 ou 20 anos, eu vou voltar a fazer a mesma coisa". Ele se considera "calculista". Nada parece ter muita importância: "Não me arrependo, não. Para mim, o que foi feito está feito, e não tem volta atrás."
Imagem: Saílson José das Graças. / AFP

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Luanda. Desalojados do Cazenga dizem que novas casas não têm condições





Amiltom Geraldo, uma das vítimas da zona do Grafanil Bar Município do Cazenga, acusa as autoridades de não cumprirem o prometido nas negociações.

VOA

Mais de duas mil famílias são obrigadas a deixar o Cazenga para zona do Zango 3, mas os populares dizem que as casas prometidas não são as que encontraram e por isso mostram resistências.
Os desalojamentos esforçados têm estado na origem de várias manifestações em Angola e as autoridades não se têm pronunciado sobre queixas de cidadãos.
Amiltom Geraldo, uma das vítimas da zona do Grafanil Bar Município do Cazenga, acusa as autoridades de não cumprirem o prometido nas negociações.
Enquanto isso, os moradores são obrigados a se transferirem para o Zango 3, para uma casa de um quarto e sala já na próxima segunda-feira:
“Olha, fomos ver as casas e ficamos descontentes porque não é aquilo que as pessoas possuem, por exemplo, em troca da minha casa, a da minha mãe e a dos meus irmãos querem nos dar apenas uma casa de um quarto e sala”, revela.
Mateus Adão, outro morador, diz que as autoridades deram apenas uma casa para a sua família, quando há três famílias no mesmo quintal: “Nós temos três casas num quintal como eles dizem que vão partir e que darão só uma casa?”, perguntou.
 A VOA tentou contactar Bento Soito, director do Gabinete de  Requalificação do Cazenga, mas sem sucesso.


China quer instalar base naval em Luanda





A China está a negociar com Angola a instalação de uma base militar da marinha chinesa para os próximos dez anos, noticiou o jornal Namibia Times.
O governo chinês quer que a sua marinha tenha uma presença significativa no Sudoeste de África, onde se situam nações como Angola, Namíbia e África do Sul.
A base está a ser negociada junto ao Porto de Luanda, sengundo a Bloomberg, que cita um relatório na Internet. Segundo o porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Geng Yansheng, a notícia do jornal namibiano não é oficial e foi retirada de um relatório a correr na Internet, sendo imprecisa, exagerada e, portanto, infundada.
O porta-voz, que deu uma conferência de imprensa em Pequim esta semana, acabou por não referir que partes do relatório eram imprecisas ou exageradas. A base de Luanda é uma das 18 que serão estabelecidas em várias regiões do mundo, segundo órgãos de comunicação social chineses não identificados pelo jornal.
A Bloomberg, citando o Namibia Times, disse que a China tem como objectivo construir bases militares da marinha para reabastecimento, atracação e manutenção em países estrangeiros. Segundo o mesmo jornal, a marinha chinesa não vai estabelecer bases militares ao estilo norte-americano.
A intenção, segundo o diário namibiano, é estabelecer uma série de denominadas Bases de Apoio Estratégico no Exterior, em conformidade com as regras internacionais prevalecentes. Para além de Angola, o governo chinês está também em conversações com a Namíbia para colocar uma base em Walvis Bay.
A porta-voz do Ministério da Defesa namibiano, a tenente-coronel Monica Sheya, disse que estava ciente e a par das negociações com a China e, logo que o governo tomasse uma decisão, informaria os seus cidadãos.
As 18 bases estarão espalhadas por toda a África e Médio Oriente, com maior concentração no oceano Índico. Paquistão, Sri Lanca e Mianmar (Norte do oceano Índico); Djibouti, Iémen, Omã, Quénia, Tanzânia e Moçambique (Oeste do oceano Índico) e Seicheles e Madagáscar, no centro oceano Índico, anunciou o Namíbia Times.
A intenção do governo chinês é, no oceano Índico, ter três linhas estratégicas para melhorar a eficácia da China na responsabilidade de manter a segurança das rotas marítimas internacionais, a estabilidade regional e mundial, e a sua influência cada vez mais forte em África, refere o jornal namibiano.
O jornal disse que a China está a negociar outras bases militares navais em Chongjin, Coreia do Norte, Port Moresby, na Papua- Nova Guiné, em Sihanoukville, no Camboja, Koh Lanta, na Tailândia, Sittwe, em Mianmar, Dhaka, no Bangladeche, Gwadar, no Paquistão, Hambantota, no Sri Lanca, no Djibouti, em Lagos, na Nigéria, em Mombassa, no Quénia, em Dar es Salaam, na Tanzânia, bem como nas Maldivas e Seicheles.
Expansão/Bloomberg