Luanda. Desde as 07.40 horas do dia 10 de Março que o gerador do banco millennium, Rua Rei Katyavala – o banco da morte – trabalha dia e noite. A energia eléctrica está normal. As janelas e portas têm que ficar cerradas porque o fumo é mortal. No dia 13, três mercenários portugueses ao serviço do crime organizado estiveram no local e aprovaram a mortandade. Como o banco é da mana Isabel, ela quer lá saber disso. Continuamos no colonialismo antes da independência, do grito: VITÓRIA OU MORTE!

terça-feira, 24 de março de 2015

Banco millennium Angola… faliu






Luanda - A direcção do banco Millenium Angola decidiu não pagar em dólares a clientes cujos valores tenham sido movimentados por transferência externa.

*Manuel José
Fonte: VOA

Gerente diz que clientes podem ir queixar-se "onde quiserem"
A medida, que está a gerar uma onda de insatisfação sobretudo aos clientes que recebem salários por transferência a partir do exterior do país, começou a ser implementada este ano e visa, segundo o banco, salvaguardar outros clientes que depositam dinheiro físico.
A VOA passou por várias agências do Banco Millenium espalhadas pela capital e confirmou que só estão a pagar dólares a clientes tenham feito depósitos pessoalmente.
Para outros cujos valores em dólares foram movimentados por transferência, incluindo aqueles que recebem salários, a partir de empresas no estrangeiro, o banco diz não ter dólares.
"Isto é uma forma de matar o cidadão e sua família aos poucos porque não se consegue levantar o dinheiro, mas o dinheiro está lá, isto praticamente é um roubo, porque eu vou ao banco Millenium peço o extracto bancário dizem que tenho dinheiro então por que não me dão o meu dinheiro?”, interrogou um cliente ouvido pela VOA.
Outro cliente exige ao banco que decrete falência. "O banco Millenium poderia fazer sair um documento a decretar falência se não consegue atender transferências, só atende os que depositaram, é melhor decretar falência", disse.
Contactada, a gerente de uma das agências do banco Millenium adiantou que ser uma medida que a direcção do banco tomou e que os clientes podem ir queixar-se onde quiserem.


Portugal no saque de crianças angolanas





Duas crianças angolanas forçadas a trabalhar em Portugal

Autoridades descobriram duas crianças que eram obrigadas a trabalhar em casa de supostos familiares e sofriam maus tratos físicos. Há indícios da prática do crime de tráfico de menores.
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras anunciou hoje que realizou duas buscas domiciliárias, na Amadora, no âmbito de uma investigação relacionada com maus tratos a duas crianças que alegadamente terão sido traficadas de Angola para Portugal.
Em comunicado, o SEF adianta que a investigação partiu da sinalização, em moradas diferentes, de duas crianças em risco por maus tratos e da verificação de indícios de que haviam sido traficadas de Angola para Portugal com recurso a documentos falsos.
Segundo aquele serviço de segurança, as crianças eram "obrigadas a trabalhar em casa dos supostos familiares, que lhes limitavam os movimentos e as castigavam fisicamente".
O SEF explica que teve conhecimento da situação, em janeiro, através da escola que as crianças frequentavam.
De acordo com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, as duas crianças foram de imediato retiradas dos locais de risco, pela intervenção da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens da Amadora, sendo alojadas em instituições de proteção.
O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Tribunal da Amadora instaurou procedimento criminal e delegou a investigação no SEF devido aos fortes indícios da prática do crime de tráfico de menores, acrescenta aquele serviço de segurança.
As duas buscas feitas pelo SEF permitiram confirmar "a situação muito precária em que viviam as menores e possibilitaram a apreensão de documentação e material informático relacionado com a prática dos crimes", refere o SEF.
Em causa estão os crimes de tráfico e de maus tratos a menores, bem como de auxílio à imigração ilegal e falsificação de documentos.
A operação do SEF contou com a colaboração da PSP da Amadora.
ANGOLA24HORAS

Angola. As difíceis vias da diversificação económica, Alves Rocha





num contexto de diminuição generalizada de recursos financeiros (2.ª parte)

ALVES ROCHA

Estudos empíricos sobre casos de sucesso de diversificação da economia em situações de posição económica relevante de recursos naturais renováveis existem desde há muito tempo.
Alan Gelb e Sina Grasmann (1), do Departamento de Economia do Banco Mundial, estudaram uma amostra de países onde as exportações de produtos primários, portanto com fraco índice de valor agregado interno, representavam mais de 60% do total das exportações em 1971.
Cinco países com uma média de exportação/PIB acima do limiar estabelecido como referência do estudo - Malásia, Tailândia, Chile, Indonésia e Sri Lanka - tiveram sucessos claros nos processos de incremento do peso relativo do sector manufactureiro no PIB e, entre 1975 e 2001, a taxa média anual de aumento do PIB por habitante foi de 3,5%. No caso do Chile, a diversificação centrada na indústria transformadora apresentou a particularidade de o país ter desenvolvido a produção de muitos produtos sofisticados, graças a políticas sustentadas de inovação e investigação científica.
Estes e outros autores (2) comprovaram também que os processos de diversificação foram bem mais lentos, mais caros e menos bem-sucedidos nos países com uma proporção elevada de exportações de recursos naturais não renováveis, como o petróleo, os diamantes e outros minérios, devido aos já citados fenómenos de rent-seeking e doença holandesa.
Verificou-se, igualmente, que uma das razões para a lentidão dos processos de diversificação económica e incremento do peso das actividades de transformação se deveu à implementação de políticas exageradas de protecção às indústrias (em tempo de duração, instrumentos de protecção causadores de distorções nos preços e na afectação eficiente dos factores de produção), que retardaram a maturidade da indústria transformadora. Nesses países, ainda hoje se apresenta um sector transformador com muitas dificuldades de competir com as importações e de disputar franjas dos difíceis mercados externos.
Na Malásia - abundante em borracha, óleo de palma, estanho e produtos florestais e só mais tarde petróleo -, a estratégia foi a da constituição de uma poderosa poupança interna na base dos rendimentos de exportação dos recursos naturais não renováveis, à custa da qual se financiaram os pesados investimentos em tecnologia, infra-estruturas, energia, comunicações e transportes, de que resultaram reduções significativas nos custos de produção e incrementos consideráveis na produtividade geral da economia (com reflexos na competitividade geral do país).
Desde 2001, o país abandonou por completo a política de protecção industrial - que vigorou apenas durante seis anos - e hoje é uma economia com elevados índices de desenvolvimento humano, ocupando a 62.ª posição no ranking mundial do PNUD de 2014, integrando o grupo de rendimento elevado, com uma esperança média de vida de 75 anos e uma média de escolaridade de 10 anos (3).
Paul Collier, numa conferência realizada em Luanda conjuntamente pelo FMI/Banco Mundial/Ministério das Finanças em Maio de 2005, em comemoração dos 20 anos de independência nacional, deixou mensagens e recados claros sobre como Angola poderia ser, nos próximos 30 anos, um país como a Malásia, evitando ser como a Nigéria (4).
Infelizmente, não foi ouvido. O Chile oferece exemplos concretos de políticas públicas direccionadas para o apoio à diversificação da sua economia, muito dependente, nos primeiros tempos, da exploração do cobre.
As indústrias do vinho e do salmão são dois casos de evidente sucesso no seu processo de diversificação com industrialização de muitos produtos agrícolas e pecuários. As políticas públicas usadas foram: fomento e adaptação do desenvolvimento tecnológico (um pouco à japonesa, que, nos primeiros anos da sua fantástica e rápida reindustrialização pós-II Guerra Mundial, usou a espionagem industrial e a cópia e adaptação de protótipos estrangeiros para os aplicar às suas necessidades de crescimento e diversificação (5) ), construção de infra-estruturas económicas de qualidade nos diferentes domínios, reforço do capital humano e apadrinhamento de parcerias público-privadas em áreas e sectores de actividade de seguros rendimentos de retorno a médio prazo.
Abertura da economia e gestão das variáveis reais e monetárias de competitividade completaram o quadro de políticas públicas viradas para a diversificação. A Indonésia parece ser o mais interessante exemplo de como colocar os recursos financeiros da exportação de petróleo a favor do desenvolvimento da agricultura.
Mesmo tratando-se de um país com graves problemas religiosos, a aposta nacional determinada em se resistir aos efeitos do dutch disease e se desenvolver, em bases extensivas, a cultura e industrialização das diferentes variedades de arroz, deu certo e aparentemente está preparada para sair da fase de economia do petróleo que a caracterizou durante algum tempo.
Foi graças a ter-se evitado os efeitos nefastos da doença holandesa, através de uma política económica global e bem coordenada pelo Estado - ao contrário, por exemplo, de Angola, onde a política económica está departamentalizada e cada responsável a executa sem perscrutar os efeitos (positivos e nefastos) sobre outros domínios económicos e sociais - que permitiu aplicar uma visão estratégica de desenvolvimento, tendo-se investido os ganhos do petróleo na exploração do gás usado abundantemente na produção de fertilizantes para uso doméstico e exportação (Japão).
A política cambial foi sempre usada com critério extremo, com a finalidade de se evitar o afastamento da taxa de câmbio de limites considerados incentivadores da diversificação e do crescimento económico. São leituras que a política e a história económica consideram como passíveis de serem replicadas, mormente em países altamente dotados de recursos não renováveis, evidentemente com as devidas e pertinentes adaptações (6).
Obviamente que o potencial de diversificação das economias é afectado por vários factores, onde se incluem a disponibilidade de recursos financeiros - sob todas as suas formas -, as capacidades técnicas e profissionais da população e a qualidade da governação.
Alguns países, como o Botsuana, apresentam altos desempenhos em diferentes dimensões do seu desenvolvimento económico - por exemplo, é o segundo melhor país africano subsariano, depois das Seicheles, em desenvolvimento humano, com um IDH de 0,683 em 2014 -, mas enfrentam restrições geográficas, ecológicas e de dotação de capital humano que têm tornado bastante difícil a implantação de um sistema produtivo diversificado e competitivo.
Não se sabe em quanto o processo de diversificação da economia nacional foi prejudicado pelo controlo da taxa de inflação pela via da âncora cambial. Do ponto de vista das experiências exitosas de diversificação, a desvalorização cambial é uma medida presente nas estratégias e políticas nacionais, não apenas nos países ricos em petróleo e outros recursos naturais irrenováveis, como naqueles em que a dependência externa se concentra na exportação de matérias-primas e bens alimentares.
A diversificação é também um processo de gestão e provocação de expectativas que levem os investidores privados, dentro das condições e factores anteriormente apontados, a aplicarem as suas e as alheias poupanças em actividades de elevado potencial de competição externa.
A acomodação dos empresários nacionais aos modelos proteccionistas cuja implementação eles próprios solicitam aos seus governos e a falsa-ideia-clara de que a diversificação é apenas interna, para substituir simplesmente o que é importado, tem adiado estes processos em muitas economias emergentes e em desenvolvimento, ricas ou não em petróleo e outros produtos de base.
(1)- Citados em Population and Natural Resources, Agence Française de Développement, 2009.
(2) - Como R. Auty (Resource-based industrialization: Sowing the oil in eight developing countries, 1990 e Resource Abundance and Economic Development, Oxford University Press 2001), M. Abidin (Competitive Industrialization with Natural Resource Abundance: Malaysia, 2001).
(3) - UNDP, Human Development Report 2014.
(4) - Collier, Paul - Angola: Options for Prosperity, 2005.
(5) - Sakaya, Taichi - Japão: As Duas Faces do Gigante, Difusão Cultural, 1995.
(6) - Possivelmente dando-se razão a quem, em Angola, considera como uma bênção a queda do preço do petróleo e como também já publicamente escrevi que agora é que temos de pensar seriamente na diversificação, procurando novas e mais reprodutíveis fontes para o seu financiamento.

domingo, 8 de março de 2015

Angola numa encruzilhada





“Meus caros Compatriotas!
Durante 11 longos anos dei-vos a chave da Saúde, da felicidade eterna, a Liberdade Infinita e a Justiça absoluta com os meus ensinamentos sobre a Filosofia e Medicina Tradicional Chinesa. Enquanto foi possível, aqui em Angola, consagrei a minha vida a ultrapassar as dificuldades físicas e espirituais. Agora, que por falta de condições de continuar a manter a minha clínica operacional, é chegada a vossa vez de espalhar a filosofia oriental entre todos os que sofrem.Angola treme diante de um dilúvio furioso.A Arca de Noé está aqui, nos conhecimentos que vos deixo.
Um até sempre!”
Angola en­contra-se perante uma crise evolutiva. Constata­mos isso agora, com a “crise” da bai­xa do preço do petróleo. Logo após as primeiras 24h do anúncio desta bai­xa, verificamos que o país quase parou. Os bancos não funcionam, as prate­leiras dos supermercados vão ficando vazias, os qua­dros emigram, os expatria­dos abandonam o país, os preços de todos os bens sobem vertiginosamente. O tecido empresarial do país estagnou por comple­to e isso podemos consta­tar com a paragem súbita da Construção civil, cons­trução de estradas, etç, etç.
De facto, a magnitude da crise em Angola leva – nos a concluir que este país en­contra-se num estado de doença terminal. As me­táforas que comparam al­guns destes problemas ao cancro, às doenças cardía­cas e à Sida são já um lu­gar-comum. A impossibi­lidade de um cidadão não poder movimentar a sua conta de dólares, de de­morar uma simples trans­ferência bancária mais de 2 meses, de nos ser agora taxado um imposto de 15% a 18% sobre estas transfe­rências pode ser compara­do ao desenvolvimento de tumores em órgãos vitais. A falta de água que assola a cidade de Luanda, com a poluição extrema tem alguma semelhança com a leucemia e os linfomas.
Angola e os angolanos no seu conjunto necessitam, clara e urgentemente, de ser curadas. Há já alguns anos que venho dizendo que o ambiente exterior reflecte o ambiente inter­no e que a solução para o dilema em que nos encon­tramos é o regresso a um modo de vida mais natural, que não pode deixar de in­cluir uma forma mais natu­ral de alimentação. A saú­de dos angolanos não pode ser separada da saúde de Angola, sendo os alimen­tos naturais a ponte entre ambas.
*CONTINUA

In Luis Filipe, Consultório Médico. Folha 8, 07 de Março de 2015