Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Maio de 2016. O Bloco Democrático-BD está solidário com os trabalhadores angolanos



Comunicado: Bloco Democrático confirma solidariedade com as lutas dos trabalhadores angolanos - viva o 1º de Maio, dia internacional dos trabalhadores

secretariado nacional do Bloco Democrático comunicado alusivo ao dia internacional do trabalhador “1º de Maio”

O Bloco Democrático-BD vem a público confirmar a sua solidariedade para com as lutas trabalhistas que se vêm gerando no País.

O Dia Mundial do Trabalhador chega-nos precisamente na altura da aprovação de uma reforma da Lei Geral do Trabalho que choca contra a expectativa das camadas laborosas e suas organizações.

Para o Bloco Democrático-BD, as modalidades dos contratos e a instabilidade dos empregos pioram de forma crescente a situação do trabalhador em favorecimento do empregador. Em geral, desde que o Partido no Poder deixou de fingir estar empenhado na “construção de uma pátria de trabalhadores” vai ficando bem claro o seu caráter:

Ser carrasco dos trabalhadores, principalmente em cumplicidade com o “empresariado de ocasião”, nascido da própria classe governante e de seu parasitismo nos bens do Estado. O próprio Governo, enquanto empregador, situa-se entre os piores, senão vejamos:

- Acumula elevadas dívidas salariais, foge aos próprios compromissos, desencadeia ondas de repressão contra os funcionários que expressam pacificamente o seu descontentamento
- como na Huila - e põe no desemprego servidores públicos em função da sua desconfiança politico- partidária - como em Benguela.

O Bloco Democrático-BD considera que, só num quadro de mudanças políticas profundas, os interesses dos trabalhadores do País poderão ascender ao topo das prioridades.

Os factos demonstram que com a habitual política social e de trabalho do Partido governante, rapina, falsidade e repressão não combinam com justiça social.

Nos momentos que vivemos, até a limitada democracia sindical vive a ameaça da intolerância do poder instituído

O Bloco Democrático-BD dá força a todas as lutas justas promovam solidariedade e cidadania. Viva o 1º de Maio, dia mundial dos trabalhadores.

“LIBERDADE, MODERNIDADE E CIDADANIA”

SECRETARIADO NACIONAL DO BD,
EM LUANDA, 22 DE ABRIL DE 2016

O Bloco Democrático é um partido político legal, registado no Tribunal Constitucional, pelo Despacho nº 34/TC/2010, do seu Juiz Presidente, datado de 20 de Outubro de 2010. Ressalta das suas linhas programáticas, a defesa da Democracia e da Justiça Social, sendo seu objectivo maior “Fazer de Angola uma potência económica de dimensão atlântica para enriquecer os angolanos”, instaurando um regime de liberdade, num Estado Social de Direito. Nº Contribuinte 7111004035.

Escritório: Kinaxixi – R. Cónego Manuel das Neves Edificio nº 102, 5º andar, aptº nº 14 B. Cruzeiro
Site Oficial: www.bdangola.net ou www.bdluanda.blogspot.com E-mail: blocodemocratico@yahoo.co.uk
Fixo 222 407 198, 222 712 084 móvel 916 765 342, 914 271 449, CP 6095, Luanda–Angola





quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Crise petrolífera tirou 555 milhões de dólares a Angola já em 2016


Luanda - O diretor do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) estima que a economia angolana terá perdido 555 milhões de dólares nos primeiros 20 dias do ano, devido à quebra da cotação do barril de crude no mercado internacional. Em declarações à Lusa, Alves da Rocha, economista do CEIC, instituição da Universidade Católica de Angola, explicou que esta estimativa resulta nomeadamente da previsão que consta do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2016 para a exportação do barril de crude, 45 dólares, quando a cotação já esteve abaixo dos 30 dólares.

Fonte: Lusa

 “É a segunda vez que o Governo comete este tipo de erro de previsão. Na primeira versão do OGE de 2015 o preço do crude foi de 85 dólares por barril. A revisão aconteceu de imediato em fevereiro, para 40 dólares. O comportamento do barril de petróleo tem sido de sistemática quebra e desconheço as razões que levaram o Governo a considerar os 45 dólares em vez de 40 no OGE de 2016. Talvez a média do preço em 2015 apontasse para essa possibilidade”, observou.

Até ao momento, referindo-se aos primeiros 20 dias do ano, Manuel Alves da Rocha diz que “as perdas gerais para a economia nacional podem ser estimadas em 555 milhões de dólares [513 milhões de euros]”. “Portanto, a revisão do OGE é necessária e pode estar iminente, o que não é um bom sinal para os agentes económicos, nacionais e estrangeiros, para quem a estabilidade tem de ser um fator importante”, admite o economista.

Questionado há dias pela Lusa, fonte oficial do Ministério das Finanças não afastou a hipótese de uma revisão do OGE. “Qualquer abordagem neste sentido ainda é prematura pois estamos no primeiro mês do ano, o preço pode vir a recuperar ao longo do ano. A sua tendência ditará as opções de política a serem tomadas pelo Executivo. No tempo certo, se for este o entendimento, o Executivo emitirá algum pronunciamento”, disse a mesma fonte.

Para Alves da Rocha, um dos vários economistas angolanos que vê como certa a revisão do Orçamento de 2016, taxar os mais ricos é uma das soluções para mitigar o impacto da descida da receita fiscal com a exportação de petróleo. “A criação de impostos sobre os rendimentos elevados e sobre as fortunas pode ser uma via promissora de incremento das receitas. Acredito que numa eventual revisão as despesas sociais vão ser mexidas e as transferências para as famílias a diversos títulos e que contribuem para o aumento do seu rendimento disponível poderão igualmente ser reduzidas”, apontou o diretor do CEIC.

Orçado globalmente – receitas e despesas de igual valor – em 6.429.287.906.777 de kwanzas (38,2 mil milhões de euros), o OGE para 2016, aprovado na Assembleia Nacional em dezembro, prevê um défice de 5,5% e um crescimento económico de 3,3%. É descrito pelo Governo como de manutenção da austeridade, devido à crise da cotação do petróleo que, só em 2015, obrigou ao corte de um terço das despesas.

Toda a riqueza gerada em Angola pelo petróleo, segundo o OGE, deveria atingir este ano os 3,301 biliões de kwanzas (19,3 mil milhões de euros) e uma previsão de aumento de 3% nas exportações de crude, para 689,4 milhões de barris.


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Presidente de Angola tem de negociar a sua própria saída, diz Agualusa



O escritor angolano José Agualusa defende que mudança em Angola deve partir do MPLA onde há descontentes também. Para ele José Eduardo dos Santos deve negociar a sua saída do poder, pois as portas começam a fechar-se.

No último sábado (23.01.), o escritor angolano José Eduardo Agualusa esteve em Frankfurt, aqui na Alemanha, num encontro literário. A DW África aproveitou a oportunidade para entrevistá-lo também sobre a atual crise político-social e económica que Angola atravessa.
DW África: Várias correntes, não só em Angola, acreditam que a queda vertiginosa da economia angolana pode acelerar o descontentamento social e com isso a revolta social. O Agualusa tem a mesma perceção?
José Agualusa (JA): Isso tem sido afirmado por instituições em todo o mundo. Também em Angola vários partidos políticos da oposição chamaram a atenção para isso. O velho Marx dizia "as condições objetivas estão reunidas, faltam as condições subjetivas". No fundo falta haver uma liderança que dirija esse descontentamento, porque ele está lá, porque as pessoas estão muito revoltadas e com todos os bons motivos para isso, porque, por um lado, a boa esmagadora maioria dos angolanos vive na miséria com extrema dificuldade e, ao mesmo tempo, olhando para quem controla o país percebem que essas pessoas vivem no luxo e é um luxo visível, que se faz questão de mostrar. Porque podia ser ocultado, mas os novos ricos angolanos fazem questão de exibir as suas riquezas, criaram revistas de modo a exibirem a sua riqueza. Portanto, é quase impossível não haver uma revolta, o estranho é não ter havido antes. Todos nós estamos a espera que aconteça alguma coisa nos próximos meses, porque é difícil que não aconteça. No primeiro dia do ano aumenta-se o preço dos combustíveis sabendo que há uma série de serviços que dependem desse preço e, que portanto, a vida das pessoas comuns vai piorar muito, é uma loucura, não faz o menos sentido. Ao invés de se abrir politicamente, de se tentar falar, estou a falar do Presidente da República [José Eduardo dos Santos], que podia abrir o país a democracia, encetando negociações com as forças políticas da oposição, ouvindo os jovens, as igrejas, todas as forças sociais, em vez disso está-se a prender jovens sob acusação de golpe de Estado? Uma acusação na qual ninguém acredita? Em vez disso está-se a perseguir jornalistas? Não faz o menor sentido, é tudo errado. Do ponto de vista estratégico de sobrevivência, parece tudo errado.

DW África: Falou agora nos jovens ativistas que foram detidos, que estão a responder a um processo. E não são só eles, há o caso Mavungo em Cabinda, o caso Kalupeteka, há vários casos que estão a criar grande tensão em Angola. Com essa repressão e demonstração de força por parte do Governo, pode interpretar-se que ele se sente acuado?
JA: É difícil tentar explicar o inexplicável. Mesmo falando com dirigentes do partido no poder, na intimidade, depois de se desligar os microfones, todos eles, todos, dizem-me "gerimos mal esta situação", o caso dos jovens presos. Parece óbvio que sim, porque a imagem do Presidente foi muito afetada ao longos desses últimos seis meses por uma ação absolutamente disparatada e que só projetou a imagem dos próprios jovens internacionalmente. O Luaty era uma figura quase desconhecida fora de Angola até ser preso e hoje não é, é uma figura muito conhecida, e além do mais, esse é um ponto positivo de todo este processo, que ele deu origem a um movimento grande de solidariedade que começou em Angola nas redes sociais e que juntou artistas plásticos, escritores, cantores, enfim, produtores de cultura, muitos dos quais ligados a famílias próximas do poder, famílias próximas do próprio Presidente José Eduardo dos Santos. Ou seja, levou a discussão da democracia para o interior do próprio partido, o que é muito interessante. Eu acredito que se houver mudança dentro dos próximos dois meses, continuo a acreditar que elas têm de vir de dentro, do próprio partido, de personalidades de dentro do partido. Evidentemente não é o Luaty Beirão que consegue dar um golpe de Estado. O Luaty não tem se quer a pretensão de o fazer, ele sabe qual é a sua dimensão, mas há gente do partido MPLA que pode, que está em condições, e dentro do exército que está em condições de operar mudanças. O que eu espero é que essas mudanças partam de dentro do partido e sejam feitas de forma pacífica juntamente com as forças sociais e os partidos da oposição de forma a não termos em Angola um quadro semelhante àquele que aconteceu, e isso é uma coisa que o MPLA tem estado a chamar à atenção, a primavera árabe. Foi um desastre, vejam o que aconteceu na Líbia. Nenhum de nós quer que aconteça em Angola o que aconteceu na Líbia. Já não seria mau se acontecesse o que aconteceu na Tunísia. Este país é fruto da primavera árabe, incialmente esses elementos do MPLA falavam na Tunísia, felizmente já deixaram de o fazer. Eu não ficaria nada incomodado se acontecesse em Angola o que aconteceu na Tunísia. Mas não quero o que aconteceu na Líbia, evidentemente. Mas na Líbia o que aconteceu foi devido ao seu próprio Presidente Kadafi que partiu para a violência, para a guerra, quando teve tempo suficiente para abandonar o poder de forma pacífica e negociando uma democratização do país. É sempre bom, o importante é dizer a todas forças políticas em Angola neste momento que a solução passa sempre pela negociação, inclusive para o Presidente da República. Ele ainda vai a tempo de abandonar o poder de forma pacífica, com dignidade, mantendo inclusive a sua fortuna pessoal, ainda vai a tempo. Mas a cada dia que passa a porta vai ficado mais estreita.

2017 é ano de eleições, mas há incertezas sobre a sua realização
DW África: Nos últimos tempos o Governo tem dado a cara, tem se defendido, como aconteceu por exemplo com o embaixador itinerante António Luvualo de Carvalho quando foi do debate em que o Agualusa também participou, e de outros membros do MPLA que vem a público defender-se, o que não acontecia. O MPLA mantinha-se em cima sem contacto com as massas. Na sua opinião, a que se deve esta viragem?
JA: O que acontece é que o Presidente da República tentou sair desta situação da forma mais superficial possível através de uma operação de cosmética, ou seja, tentando criar um grupo, não foi só o embaixador Luvualu, que a meu ver é uma pessoa extremamente inteligente e competente, mas ao qual foi dado um trabalho muito difícil. A questão já não é dar uma melhor imagem, já não passa por aí. Aliás, viu-se, essa operação não resultou, a imagem do Presidente nos últimos meses ficou extremamente degradada, não melhorou com essa situação e nem vai melhorar porque já não se trata de operações de cosméticas. Neste momento só melhorará com ações concretas, o Presidente tem de dar sinais claros, evidentes de que quer a democratização do país, de que quer a pacificação do país. E só conseguirá isso negociando com as forças da oposição, marcando eleições, não apenas legislativas, mas autárquicas. É bom dizer que Angola nunca teve eleições para o poder local, e não há democracia sem poder local, portanto, não há democracia em Angola. E negociando o seu próprio afastamento, porque não é possível continuar a acreditar que o regime mudou tendo o mesmo Presidente há 36 anos. Portanto, o Presidente tem de negociar a sua própria saída.

"Candongueiros" fizeram recentemente uma greve por causa do aumento do preço do combustível
DW África: O ano começou há relativamente pouco tempo. Quais são as suas perspetivas para 2016 para Angola, tomando em conta toda esta conjuntura, a crise económica, a tensão político-social, com os julgamentos em curso?
JA: A verdade é que este ano vai ser o ano de todos os sobressaltos. Eu acho que o partido no poder está a preparar a tempestade perfeita. Agora, vamos ver o que vai acontecer... Eu acho que vai ser um ano muito tenso e provavelmente com grandes surpresas.
DW África: Terá falado sobre a era pós-petróleo numa das suas obras...
JA: Sim, sim... já sei o que é, uma crónica sobre isso. Escrevi um livro "Barroco Tropical" que foi publicado na Alemanha também. Ação do livro acontece em 2020 e é assustador porque ainda há pouco falava com o meu tradutor e ele dizia que aquilo que se passa no livro parece que está acontecer. Quando se escreve um livro deste, quando alguém escreve uma distopia, é para chamar à atenção sobre os problemas. Não é com a intenção de profetizar acontecimentos, é com a intenção de chamar à atenção para problemas esperando que eles sejam resolvidos. A questão é que não foram. E aquilo que já era evidente na época, que uma economia exclusivamente assente no petróleo poderia ter problemas no futuro está realmente a acontecer.
DW África: E vê algum esforço do Governo angolano em diversificar a economia, algum resultado visível? Porque esse discurso já é antigo...
JA: A falta de resultados está na situação atual. A Noruega não tem nenhum problema, o petróleo está em baixa, está a atingir muitos países, mas a gente ouve dizer que a Noruega está em crise? A Noruega não está em crise, preparou-se para esta situação. O país investiu dinheiro do petróleo seriamente no desenvolvimento global do país de forma a poder sobreviver sem petróleo, tão simples como isso.




segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Portuguesa com criança de 12 meses assaltada e sequestrada em Luanda



Isandra Rodrigues. Facebook
Boa tarde, publico o post anonimo de uma conterranea que passou por um assalto e sequestro.
" Boa tarde,
A minha revolta e tão grande que da mesa forma que escrevem quando morre algum português em Angola, também o mesmo poderia ter acontecido comigo. Eram sensivelmente 18.30 estava perto do Camama tropical, numa rua alternativa ao acesso ao condomínio onde resido, próximo dali. Tinha chovido bastante pelo que as ruas de terra batida estavam com muita agua e eu seguia devagar para não danificar o carro.
De repente 3 sujeitos armados numa viatura rodearam o meu carro, não ofereci resistência e abri as portas. Disse apenas para não me fazerem mal que estava com a minha filha de 12 meses, sentada no banco de trás. Entraram no carro, puxaram me para o banco de trás, dois ficaram a frente , um comigo atras e saíram em alta velocidade. Estavam muito nervosos, eu disse que dava tudo, o carro, dinheiro, mas que me deixassem apenas com a minha filha, disseram que não. Mais a frente, resolveram fechar me na bagageira do carro para não identificar para onde me levavam, ficando a minha filha sozinha a frente aos gritos. Entretanto como estava fora do meu horário de chegada a casa o meu telemóvel tocou no alta voz da viatura, pararam num descampado, abriram a mala revistaram me, pensando que eu fizera a chamada, agrediram- me, apontaram me a arma a cabeça e disseram , só não te matamos por causa da tua filha. Voltaram a por me na mala, a arrancaram em alta velocidade. Consegui levantar o tampo da mala e ver o caminho, íamos em direcção a rotunda do Camama. Como a bebé não parava de chorar puxaram me para o banco de trás e puseram me a menina no colo, comecei a cantar para ela se acalmar, estava com fome. Um dos assaltantes era muito mau, ia ao volante, outro era calmo e calado ia sentado ao meu lado e demonstrava compaixão, e o terceiro era um pau mandado. Pegaram nos cartões multicaixa, pediram os códigos, foram ao multicaixa e disseram se os códigos estiverem errados a tua filha será a primeira a morrer. Dei o código certo obviamente. Entretanto vendaram me os olhos, e continuaram, fazendo planos de ir as compras, pois 40.000 kz era pouco. Pararam num beco, dois saíram do carro e ficou o mais calmo comigo, mas passou para o lugar do pendura com a arma. Ficamos ali muito tempo. Pedi para tirar a venda, deixou, comecei a falar com ele, conversava comigo, o tempo passava, pedi lhe ao fim de quase 30 minutos que me deixasse fugir, que o iria ajudar, e ajudar a sua família. Ele perguntou me onde trabalhava, menti, e disse a minha antiga empresa, bastante conceituada por aqui, ele conhecia bem, perguntou o meu nome, e foi visível, que por coincidência, ele me conhecia, ou conhecia alguém que me conhecia, foi muito estranho, parecia assustado. Disse passados alguns minutos, passa para o banco da frente, para o volante, liga o carro, e acelera, foge, foge... Tinha o meu portátil ao peito, pedi que me desse, tinha muitas coisas minhas, pousou o pc no carro, bateu a porta e eu fugi. Estava parada num beco escuro ao lado de um hiper conceituado em luanda, o Alimenta Angola, onde eles faziam compras, entrei na estrada principal, entrei em pânico, fiquei gelada, fugi para o lugar mais próximo publico onde conhecesse alguém, parei a sensivelmente 2km dali, num outro hiper, o Deskontão onde me ajudaram e onde finalmente chamaram a polícia, a minha família, etc. O caso esta na polícia de investigação. Segunda- feira vou ver as camaras para reconhecer os assaltantes, pois temos o extrato, movimento, horas e locais onde movimentaram os valores. Fizeram compras quase de 400.000 kz . Isto pode acontecer a qualquer um, ninguém esta livre, e tudo muito rápido. A minha preocupação era a minha filha. Enquanto esperava o pior, consegui abrir um pouco as janelas de trás do carro, um pouco de cada lado, porque atras são manuais, para que se me matassem, a menina pudesse respirar e se chorasse a pudessem ouvir. Estou traumatizada, ainda a recuperar, se tenho medo, tenho sim, muito, quem não teria. Quero justiça, mas sobretudo quero alertar para que apesar do trafego não optem por vias alternativas. Prefiro manter o anonimato, caso me queiram conhecer não há problema, mas publicamente, quero manter a minha família, no anonimato. Sou gestora numa empresa líder de distribuição de bebidas em Angola. Muito grata, façam a minha voz o meu desespero chegar a algum lado Tenho 35 anos, sou casada com angolano, respeito portanto muito a cultura, e estou revoltada por isso. Sou portuguesa, trabalhadora em Angola, agora residente.
DICAS... Ter sempre um telemóvel na mala e no banco de trás para situações de emergência escondido, desligado, em vibrador. Colocar o novo sistema de GPS na viatura que permite 3 números de telefone, ligar para a viatura e ouvir em tempo real o que passa dentro da viatura sem que alguém se aperceba. Custo acessível."


A miséria intelectual do Pastor Online. Folha 8



Pontifica por ora nas páginas do Facebook um madié que se faz passar por Pastor Online, que no correr desta semana se saiu com a seguinte dica: «Ao amamentar-se a boca da criança toca no peito da mãe e ela torna-se um ser impuro. Pedimos a todos os fiéis que saibam de casos em que se proceda desse modo, imediatamente avisem os seus respectivos pastores e participem na campanha de luta contra os métodos impuros de alimentação de crianças e que assim se possa proceder à erradicação total desse tipo de alimentação».
Este é o aviso, o pior é o que se segue, escrito certamente pelo próprio punho do Pastor, evidenciando, muito para lá do que seria preciso denunciar, o nível desse educador espiritual. Eis, ipsis verbis, o que lhe saiu da tola, para o punho e depois para a gente ler: «Diga não ao enssesto, diga não a amamentassão. Bebês que são amamentados nos peito da mãe estão pratecando sexo com a próprea mãe, ou seje são ceres enpuros. Ce vosê conhesse algum cer enpuro traga a nossa ingreja ujentemente para nossos pastores purificálos».


FOLHA 8

sábado, 23 de janeiro de 2016

Grande Corrupção na Universidade Metodista de Angola. Rafael Marques de Morais




A Universidade Metodista de Angola (UMA), com mais de nove mil alunos, tem sido consumida por uma extraordinária contenda pelo seu controlo, entre os accionistas maioritários e o bispado da Igreja Metodista Unida (IMUA).

Rafael Marques de Morais
MAKAANGOLA

Por via indirecta, através de duas sucursais angolanas – a Turpolis e a Imolis – a empresa portuguesa Listorres controla 57 por cento das acções da universidade, assim como o seu conselho de administração. Os sócios portugueses exigem US $25 milhões pela cessão da totalidade das quotas.
O presidente da República ofereceu, de um fundo especial não especificado, US $19 milhões à igreja para a compra das acções. As partes envolvidas referem-se à oferta em variada correspondência escrita, designando-a apenas como “doação especial” e evitando mencionar o presidente da República como o benfeitor.
Entretanto, os sócios maioritários exigem também que a igreja se responsabilize pela dívida de US $21 milhões que a universidade contraiu junto da banca nacional e que os avales pessoais dos membros do conselho da administração sejam substituídos. O bispado demanda auditoria às contas. Nem com Deus e o presidente envolvidos os sócios se entendem.
Acusações mútuas de corrupção, má-fé, conflitos de interesse, várias queixas-crime, abusos verbais, a generosidade presidencial e o encerramento compulsivo, por um dia, da universidade, são apenas alguns dos elementos que marcam a disputa.
Em oito anos de existência, até 2014, a UMA apresentava uma facturação total de cerca de US $ 112 milhões, dos quais US $95.3 milhões foram gastos em despesas e reportando apenas um lucro de US $16.5 milhões, conforme dados do seu conselho de administração.
Depois de ter consultado dezenas de documentos e de ter mantido encontros off the record com representantes das partes desavindas, o Maka Angola desvenda as questões de fundo do conflito que ensombra a Universidade Metodista de Angola e, por arrasto, a Igreja Metodista Unida.
A origem
A 17 de Fevereiro de 2006, a IMUA e a UMA, representadas respectivamente pelo bispo Gaspar João Domingos e pelo presidente do Conselho de Administração (CA), o empresário português Vasco António Pires Duarte, assinaram um termo de compromisso de investimento. Segundo o acordo, a Universidade não efectuaria “a distribuição de dividendos pelos seus accionistas durante os dez primeiros exercícios fiscais [10 anos], aplicando os resultados que fossem apurados no seu desenvolvimento patrimonial”.
Para o efeito, a universidade comprometia-se a construir um ou mais campus universitários, em 10 anos, com um investimento mínimo de US $20 milhões. Na eventualidade de incumprimento, o acordo dava à IMUA o direito de apenas “exigir” a continuidade na aplicação dos resultados financeiros para o cumprimento do estipulado, “sem efectuar distribuição de dividendos”.
Entretanto, os sócios portugueses estabeleceram vários contratos de prestação de serviços à universidade com empresas suas, incluindo a própria construção dos edifícios, que lhes têm garantido receitas exclusivas de dezenas de milhões de dólares ao longo dos anos.
“No esquema operacional demos conta que havia 27 empresas do Vasco António Pires Duarte a prestar serviços à Universidade. O funil para o escoamento dos dinheiros era a [empresa] Listorres, em Portugal”, denuncia fonte da igreja.
O presidente do CA da UMA, Vasco António Pires Duarte, detém 68 por cento do capital da Listorres, a accionista maioritária da universidade. Por sua vez, a vogal do CA da UMA, a também cidadã portuguesa Maria Helena Rosa Lopes Pinto Dória, subscreve 29 por cento das acções da Listorres.
A mesma fonte refere ainda que os sócios portugueses “tinham uma empresa offshore, a VHPD (Vasco, Helena, Pedro e Dória). Essas empresas do Vasco e da Maria Helena debitavam todos os seus serviços para a universidade”. Luís Miguel Lopes Dória é filho da sócia Maria Helena, vice-presidente do Conselho de Administração e presidente da Assembleia-Geral da Listorres.
Por sua vez, uma empresa familiar do bispo também passou a garantir o seu pecúlio. A 10 de Março de 2011, o bispo criou a empresa GLAITETG-DMG Limitada, em sociedade com os seus seis filhos, da qual passou a ser sócio-gerente com a esposa Lucrécia. A GLAITETG-DMG passou a deter a exclusividade na venda de uniformes académicos para professores e alunos (becas), destinados às cerimónias de graduação e outros rituais académicos, ao preço obrigatório de US $650 por uniforme. Os uniformes têm sido importados dos Estados Unidos da América em nome da Igreja Metodista Unida, com isenção de impostos, conforme documentos consultados pelo Maka Angola.
O bispo auferia também um salário mensal de US $10,000, na sua qualidade de presidente da mesa da Assembleia-Geral da UMA.
Com efeito, a Universidade Metodista Unida passou a ser gerida, do ponto de vista patrimonial e financeiro, por uma outra entidade com o mesmo nome – a Universidade Metodista Unida S.A.
O edifício (azul)  da Universidade Metodista na cidade de Luanda.

A sociedade portuguesa
O capital accionista maioritário é detido pela Turpolis (37 por cento) e pela Imolis (20 por cento) que, por sua vez, são sucursais angolanas da empresa portuguesa de construção civil e obras públicas Listorres. O empresário Vasco António Pires Duarte exerce cumulativamente os cargos de presidente do Conselho de Administração e director comercial da Listorres, sócio-gerente da Turpolis – Empreendimentos Imobiliários e Turísticos, Lda e da Imolis – Construção Civil e Obras Públicas. Também é o presidente do Conselho de Administração da Imufundo S.A, que concedeu empréstimo à UMA, e da SID, a vendedora de propriedades à UMA, ambas empresas igualmente sucursais da Listorres, ou do Grupo Lis, como também é conhecido.
Formalmente, a Listorres detém 80 porcento da Imolis, enquanto Domingas João Tito, a testa-de-ferro em vários negócios, detém 15 por cento, e a VHPD Internacional queda-se com 5 por cento.
No “resumo das contas e aplicações dos ‘dinheiros’ da UMA, desde 2006 até 2014”, explica-se quem facturou com as obras e terrenos da universidade. A Turpolis – Empreendimentos Imobiliários e Turísticos S.A obteve uma facturação de 2.5 biliões de kwanzas (US $25.5 milhões) com a prestação de serviços à UMA, da qual é sócia maioritária. Por sua vez, a SID – Sociedade Imobiliária de Desenvolvimento teve receitas de 1.1 bilião de kwanzas (US $12 milhões) pelas vendas de património imobiliário efectuadas à UMA.
Sobre este último negócio, a administração da SID escreveu ao bispo, a 11 de Julho de 2011, a dar-lhe conta da sua intenção de vender quatro pavilhões, no Kaop Park em Cacuaco, para a extensão da universidade. “Considerando o relacionamento de accionistas comuns na SID e na UMA, bem assim como o extraordinário interesse público do projecto da UMA, estamos dispostos a vender à UMA os quatro edifícios com o desconto de 10%, ou seja pelo preço de 11.435.220 USD, conforme proposta detalhada em anexo”, lê-se na correspondência.
Em relação a esse negócio, então autorizado pelo próprio bispo Gaspar Domingos, o bispado ora reclama que se trata de um “jogo duplo, [os sócios portugueses] sempre usaram a dupla personalidade”.
“O Banco Millenium concedeu US $12 milhões à universidade para a compra dos pavilhões que a SID (Vasco) estava a vender, onde estão os campus de Saúde e dos Desportos”, refere a fonte do bispado.
“Todavia, os pavilhões foram dados como garantia bancária em nome da SID. Existe um contrato de compra e venda entre a SID e o Millenium. Não há de compra e venda com a universidade”, continua.
O Maka Angola teve acesso ao contrato entre o Banco Millenium Angola e a empresa Universidade Metodista de Angola, S.A. Os membros do conselho de administração da UMA ­- Vasco António Pires Duarte, Maria Helena Rosa Lopes Pinto Dória e Pedro Sebastião - subscrevem o contrato como avalistas, enquanto a SID assina como garante.
O crédito de US $12 milhões foi efectivamente concedido “para a aquisição de instalações – Lotes 40, 41, 42, 43 Kaop Park – Campus Desporto e Saúde”. A SID disponibiliza ao Millenium, como garantia de hipoteca, os mesmos lotes que vendeu à universidade.
Através do mesmo esquema, a SID tentou vender, em 2011, 48 apartamentos no Kaop Park, em Cacuaco, à universidade por US $22.4 milhões. Esse preço, de US $440 mil por apartamento T2 e T3, foi considerado pelo vendedor como “muito especial, na expectativa da imediata assinatura do contrato”. O Kaop Park é um projecto imobiliário da Listorres. 
Sobre as actividades de Vasco António Pires Duarte, o analista jurídico do Maka Angola, Rui Verde, comenta: “Vislumbram-se, confirmando-se as informações, vários atropelos às normas legais sobre o direito das sociedades, sobretudo em relação à participação em deliberações sociais em que estejam em causa interesses pessoais, à não consideração das relações de domínio social e à feitura de contratos sem o necessário suporte legal comercial.”
“Mas, pior, configuram-se aqui e acolá elementos que podem preencher os tipos criminais de abuso de confiança e burla qualificada”, conclui o analista.
Entretanto, fonte ligada ao sócio maioritário nega qualquer actividade criminal. “Visto assim, o sócio maioritário e PCA da UMA a prestar serviços, com as suas empresas privadas à universidade, gera conflito de interesses”, afirma a fonte.
“Mas há vantagens. Primeiro, não há nenhum rigor em termos de pagamentos, enquanto com outras empresas haveria maiores exigências. Com as empresas do PCA não há rigor. Nós [universidade] pagamos conforme a nossa disponibilidade”, justifica.
Em relação à segunda vantagem, a fonte esclarece: “O PCA faz os preços mais baixos do que as outras empresas. É verdade que ele analisa primeiro as propostas de outras empresas e, em função disso, apresenta a sua proposta com um valor abaixo. Depois, o PCA avança com os seus próprios meios e nós vamos pagando. Essas são vantagens fundamentais”, esclarece.
A actividade empresarial do bispo
Por sua vez, na qualidade de sócio-gerente da empresa GLAITETG-DMG, que exercia cumulativamente com a função remunerada de presidente da Assembleia-Geral da Universidade Metodista de Angola, até 2014, o bispo também arrepiou caminho como empresário.
A 12 de Junho de 2012, a GLAITETG-DMG escreveu ao Conselho de Administração da UMA informando que já tinham em sua posse as batinas “solicitadas para as cerimónias de formaturas, aberturas do ano lectivo e outros eventos a serem realizadas por esta instituição do ensino superior (...)”. O documento instava que, “em virtude da aproximação em breve da sua primeira cerimónia de outorga de diplomas, solicitamos que no caso dos professores, decanos, administradores, reitor e seus vice, adquirissem já suas batinas, devendo dos seus salários mensalmente na tesouraria fazerem-se as deduções dos cursos, nas prestações dos meses de Junho e Julho”.
De forma extraordinária, a empresa instruía ainda a administração da universidade para que informasse os beneficiários sobre a obrigatoriedade da medida e os descontos que seriam deduzidos aos seus salários. A filha do bispo, Ariane Domingos, assinou o documento, sobrepondo-se à autoridade da reitora e do conselho de administração da UMA sobre as decisões internas. Deu conflito.
A 4 de Julho de 2014, vários pastores recorreram ao presidente José Eduardo dos Santos, através de uma petição na qual expunham o que consideravam ser a conduta corrupta do bispo.
Em relação à UMA, os subscritores denunciaram que a universidade fora obrigada a adquirir becas no valor de US $239 mil, para além das vendas efectuadas aos estudantes e professores, no valor de US $650 e US $800 por uniforme, respectivamente.
Também reportaram o facto de o bispo ter solicitado à Turpolis, a 22 de Maio de 2012, um donativo de US $160 mil para a igreja. “Ao invés de depositar o cheque na conta da Igreja, depositou-o na sua conta pessoal e ficou com a totalidade do valor”, escreveram. Ao presidente, os peticionistas pediam a suspensão do credenciamento do bispo junto do Estado angolano, “para acautelar danos maiores”.
Qual Pilatos, a presidência, por orientação do ministro de Estado e chefe da Casa Civil do PR, Edeltrudes Costa, remeteu apenas a petição ao visado.
“Deste modo, remetemos a referida exposição para Vº conhecimento, tendo em conta que se trata de um assunto da competência da instituição que dirige”, assinou a correspondência o secretário em exercício para os Assuntos Judiciais e Jurídicos da Casa Civil do PR, Aldemiro Vaz da Conceição.
Em resposta sobre estas denúncias, devidamente documentadas, representantes do bispado contra-atacam referindo que “os portugueses [sócios] criaram um grupo de pastores a quem iam dando envelopes para criar um vendaval no seio da igreja. Pegaram em assuntos de somenos importância. Foram estes pastores que redigiram um documento de denúncias da suposta má gestão do bispo”.
Segundo os representantes da autoridade eclesiástica, “os pastores negaram-se a uma acareação com o bispo. Tinham de ouvir da parte do bispo. O desejo deles era só a destituição do bispo”.
O analista jurídico Rui Verde também faz o enquadramento do comportamento do bispo. “A situação é semelhante, de abuso de poder e burla qualificada. Na realidade, em termos jurídicos, o foro eclesiástico não modifica a imputação dos comportamentos que se lhe pode fazer. Moralmente, exigia-se obviamente outro tipo de atitude. Contudo, em termos de Direito não é o que está em questão. O ponto é um e só um: saída de dinheiro de uma sociedade para as contas de outras pessoas sem justificação substantiva.”
Vista parcial do Laboratório de Engenharia da Universidade Metodista de Angola.
Queixas e contra-queixas
A disputa entre o bispo e os accionistas portugueses ganhou outra dimensão com queixas dirigidas à Direcção Nacional de Investigação e Inspecção das Actividades Económicas (DNIIAE).
No entanto, a primeira queixa foi participada pela Comissão de Pais e Alunos da UMA, que enviou uma petição à referida instituição, denunciando que o bispo, ao vender as becas “especulativamente” por US $650, obtinha “um lucro superior a um milhão de dólares, sem fazer facturas e sem pagar impostos”.
Os peticionistas pediam a intervenção da Polícia Económica para baixar o preço das becas para US $300, para colectar os impostos sobre o negócio e para medidas que impedissem o bispo de continuar a usar a igreja para importar os uniformes e vendê-los aos alunos.
A queixa ficou sem efeito.
Entretanto, na sua primeira denúncia, datada de 6 de Março de 2014, o bispo alegou gestão dolosa e branqueamento de capitais por parte de Vasco António Pires Duarte. Citou uma dúzia de empresas do presidente do Conselho de Administração da UMA, que prestavam serviços à universidade como parte do esquema. “Aproveitando-se de tal posicionamento criou condições para que o negócio ao nível da universidade girasse em torno das suas empresas. As cifras em divisas são avultadas.” O bispo lamentou ainda o montante da dívida da universidade, “quando esta tem uma facturação anual de US $24 milhões”, e denunciou a suposta presença de vários trabalhadores portugueses na universidade em situação migratória irregular.
 A 22 de Dezembro de 2014, o bispo fez uma nova participação criminal contra os membros do Conselho da Administração da UMA por falsificação de documentos. Trata-se do termo de autorização que cancela o contrato de direito usufruto, por 25 anos, do espaço de 2,550 metros quadrados cedidos pela igreja para a instalação da UMA.
“Atendendo que a referida universidade beneficiou de uma linha de financiamento no valor de US $27 milhões junto de um sindicato bancário; para esse efeito é necessário que a referida parcela de terreno passe como propriedade plena da Universidade Metodista de Angola, e que as benfeitorias que lá incidirem sirvam de hipoteca para garantir o colateral do referido financiamento”, lê-se no referido termo ora contestado.
O termo cancelou a certidão de usufruto e autorizou a doação do terreno sem reservas. O bispo Gaspar Domingos referiu na queixa que nunca concordou com tal termo e que a sua assinatura, bem como a do co-signatário – o bispo José Quipungo –, foram falsificadas. “Tal acto facilitou que determinados espaços da igreja fossem hipotecados pelos falsários”, sublinhou o bispo, apelidando o acto de “criminoso” e de atentado à “moral”.
Incansável, o bispo apresentou uma terceira queixa, a 14 de Julho de 2015, contra os sócios portugueses, com base num artigo publicado num pequeno jornal da Região Médio Tejo, em 2011, sobre uma sentença judicial que fazia referência à Listorres, sem contudo fazer referência a qualquer acto criminoso pelos sócios, Vasco Duarte e Maria Helena Dória. “Sem ginástica de memória, podemos concluir que a prática de ‘gestão danosa’ figura nos seus dicionários desde a sua terra natal”, concluiu o bispo ainda assim.
Em resposta, a reitora e o vice-presidente do CA da UMA, Teresa Neto e Pedro Sebastião, escreveram ao PGR, general João Maria de Sousa, acusando a queixa do bispo de ser caluniosa e difamatória. “São grosseiramente falsas as afirmações escritas pelo bispo na carta que dirigiu às autoridades em 14 de Julho de 2015, e pelas quais será criminalmente responsabilizado, não pela UMA, mas pelos visados, incluindo a empresa Listorres S.A., detentora de interesses em vários países, nomeadamente: Brasil e EUA.”
“O presidente do CA da UMA, cidadão português de inquestionável idoneidade e desde sempre ligado a organizações de voluntariado (Igreja Católica, Associações, Escuteiros, Santa Casa da Misericórdia de Torres Novas, Associação de Empresários Cristãos, etc.), foi homenageado por várias instituições e também com a Comenda da Ordem de Mérito do Descobridor do Brasil Pedro Álvares Cabral”, merecendo o reconhecimento dos governos de Portugal e do Brasil”, laudam a reitora e o adjunto de Vasco Duarte.
Oh, Judas!
Para além das disputas sobre o controlo da universidade, os conflitos pessoais opondo os adversários adensaram-se ao ponto de as acusações mútuas ultrapassarem o bom senso cristão, incluindo ameaças de morte. Nos anos 90, uma disputa entre metodistas provocou tiroteios e mortes, causando a cisão da igreja.
O vice-presidente do CA da UMA, Pedro Sebastião, que durante 30 anos dirigiu as finanças da igreja, escreveu ao bispo a 15 de Dezembro de 2014, para o “aconselhar” a apresentar a sua demissão.
“Quando se vai ao pastorado acidentalmente, às vezes inconscientemente, você traz para dentro da igreja a figura de um ‘bravo militar’ que quer ver sangue a jorrar e nunca um pastor no verdadeiro sentido”, lê-se na carta. “Aqui, aconselho Vª Ex.ª a encaminhar alguns desses pastoritos para as FAA e serem transferidos para as frentes de combate (a exemplo do Congo Democrático e Nigéria). Porque pelos comportamentos que assumem, acreditam que é lá o lugar deles e nunca na igreja”, sugere. Para o signatário, os cristãos não devem “pensar em derramamentos de sangue nem em matanças”.
Dois dias depois o bispo respondeu: “[Pedro Sebastião], se te sentes cristão , saiba que Jesus não chamou junto de si Judas, para que o traísse, mas para que o ajudasse a cumprir a missão.” Segundo o bispo, porque Judas se “deixou iludir por 30 moedas, Jesus deixou que se suicidasse. E assim se fez. Sabia ele, Judas, que naquela hora tinha mais valor morto do que vivo!”
O bispo tem ainda uma observação a fazer ao seu antigo amigo e confidente: “Quanto ao resto é manamadoísmo, das orelhas quererem ultrapassar a cabeça. Coloca-te lúcido e humilde e ore assim... Ámen!” Mana Madó é o termo coloquial usado para definir as pessoas que não olham a meios para demonstrarem relevância social. O bispo transformou-o num ismo.


Luanda. General Wala propõe-se a cuidar dos “revús”



Lisboa – Oficiais  do  chamado comando unificado (que inclui FAA, Polícia  e SINSE) de Luanda, revelam-se indignados com alegados planos do comandante da região militar de Luanda, general Carlitos Simão Wala, de chamar a si, o dossiê dos presos políticos acusados de planearem um suposto golpe de Estado contra o Presidente da República de Angola.

Fonte: Club-k.net

Altas patentes militares reprovam os seus reais planos 
À Carlitos Wala é atribuída a defesa de um plano para “cuidar” definitivamente dos presos políticos para que não voltem a ser incómodo a imagem do Presidente José Eduardo dos Santos. O general terá apresentado o referido plano, a margem de uma reunião operativa ocorrida antes da recente quadra festiva.

Carlitos Wala terá identificado como alvo do seu plano, os activistas Luaty Beirão, Domingos da Cruz, Osvaldo Caholo, Sedrick de Carvalho e Mbanza Hanza que no seu ponto de vista denotam ser os cabeças pensantes do grupo dos presos políticos.

De acordo com uma fonte, a materialização do plano do general Wala passaria primeiro pela substituição, dos agentes (da Polícia Nacional e guarda prisionais) que fazem a guarda dos jovens - enquanto observam a prisão domiciliaria, em suas casas - e por  sua vez,  colocaria  homens da sua confiança. Desta forma, os jovens estariam expostos para a alega fase final do seu plano.

Segundo apuração, este plano do general Wala em desejar “cuidar” dos presos políticos gerou opiniões contrarias dentro do aparelho de segurança do regime por considerarem que uma vez o caso já chegou ao Tribunal e originou contestação internacional, seria despropositado para o Estado angolano confrontar-se novamente com episódios de eventuais desaparecimento de pessoais.

“Se acontecer alguma coisa a estes miúdos ele é quem vai ser responsabilizado. Se o Presidente da Republica já enviou o caso para o tribunal porque que ele (general Wala) esta meter-se nisso”, interrogou uma patente militar que se opõe que Angola volte praticar ações como as que aconteceram com os activistas Cassule e Kamulingue.

Desde que assumiu o comando da região militar de Luanda, o general Wala tem sido citado em  situações que extravasam as suas competências (como mediação de problemas de apropriação de terrenos em Viana) mas também de não acatar orientações que lhe são baixadas. Há informações denotando que o comissário-chefe  Antônio Sita, comandante provincial de Luanda já se queixou dele.

O general Carlitos Wala é o comandante da região militar de Luanda. Diz-se que é nesta condição que se julga  ter autoridade para cuidar todo assunto de natureza de defesa e segurança que ocorrem na capital do país, razão pela qual propõe a substituição dos agentes guardam os presos políticos em suas respectivas residências.


Angola: Conselho de Ministros apreciou Memorando estratégico para mitigar crise


Luanda - A 2ª Sessão Ordinária Conjunta da Comissão Económica e da Comissão para a Economia Real do Conselho de Ministros analisou nesta quinta-feira, em Luanda, o Memorando sobre as Linhas Mestras para a Definição de uma Estratégia para a Saída da Crise, Derivada da Queda do Preço do Petróleo. O Memorando identifica o conjunto de medidas que devem ser adoptadas nos domínios fiscal, monetário, da comercialização externa e do sector real da economia.

Fonte: Angop

Pretende-se com o mesmo substituir o petróleo como fonte principal de receita, controlar a expansão do défice e do endividamento, melhorar a eficiência e a eficácia dos investimentos privados, aumentar a produção nacional e promover a exportação de bens e serviços, a curto prazo.
O documento visa igualmente aumentar a receita tributária não petrolífera, optimizar a despesa pública e racionalizar a importação de bens e serviços, indica uma nota de imprensa distribuída no final da sessão, orientada pelo Chefe de Estado Angolano, José Eduardo dos Santos.
Foi igualmente objecto de apreciação o Relatório de Actividades da Unidade Técnica de Gestão do Saneamento de Luanda, referente ao II Semestre de 2015, que condensa o conjunto de acções levadas a cabo no âmbito dos projectos estruturantes em curso na província de Luanda.
Entre estes, destacam-se as obras das valas de drenagem do Suroca, do Cazenga Cariango e da Cidade do Kilamba, a requalificação dos bairros da Precol e do Cariango, do Bairro Popular (fase II) e da Terra Nova (fase II), bem como o projecto de manutenção e exploração da rede de colectores públicos.
A sessão aprovou a proposta técnica para o reforço das infra-estruturas urbanísticas da Zona de Empreendimento Jika, com vista a melhorar a fluidez do tráfego viário, o fornecimento de energia eléctrica, o saneamento básico e o fornecimento de água potável.
No âmbito das Políticas Fiscal, Monetária e Cambial, foram aprovados o Relatório de Balanço do Plano de Caixa para o mês de Dezembro de 2015 e a Proposta de Plano de Caixa para Fevereiro de 2016, segundo a nota de imprensa.
As Comissões apreciaram também o balanço sobre o estado de implementação do Projecto Grandes Moagens de Angola, que visa a produção industrial de farinha de trigo e de farelo.
Ainda no domínio da indústria, apreciou-se também o projecto para a construção, em Viana, de uma unidade de montagem de viaturas, tendo sido recomendado o seu tratamento à luz da legislação do investimento privado.
Finalmente, as Comissões debruçaram-se sobre as propostas de criação das empresas de água e saneamento das províncias de Cabinda, Bengo e Cuanza Sul, no âmbito do Programa de Desenvolvimento do Sector das Águas e respectivo plano de acção.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Isabel Dos Santos Comanda Reestruturação da Sonangol


Isabel dos Santos assume, cada vez mais, o papel de faz-tudo.
A empresária angolana Isabel dos Santos estará a participar na reestruturação da petrolífera Sonangol, frequentando reuniões entre a administração da empresa estatal e consultores internacionais, noticia o semanário económico Expansão, na edição de sexta-feira.

LUSA
MAKAANGOLA

De acordo com um excerto da notícia a publicar, a que a Lusa teve acesso, a empresária, filha do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos - que também lidera a Comissão de Reajustamento da Organização do Sector dos Petróleos e com isso a reestruturação da Sonangol - e um "batalhão" de consultores "assentaram arraiais" em dois andares do edifício sede da petrolífera, em Luanda.
A Sonangol e o Ministério dos Petróleos não comentam a notícia, mas o semanário, citando fontes da empresa, diz ainda que a equipa que participa com Isabel dos Santos nestas reuniões com a administração da petrolífera integra consultores jurídicos e de gestão portugueses e noruegueses.
"A consultora internacional de gestão Boston Consulting Group e o escritório de advogados português Vieira de Almeida e Associados serão duas das firmas que estão a trabalhar com Isabel dos Santos e a administração da Sonangol na reestruturação", escreve o Expansão.
Em Portugal, a Sonangol tem participações directas e indirectas no Millennium BCP e na Galp.
A Lusa noticiou a 24 de Outubro, citando uma informação da Casa Civil do Presidente da República, que o Governo angolano criou um comité para elaborar um modelo "mais eficiente" para o sector petrolífero do país e melhorar o desempenho da concessionária estatal Sonangol.
Criado por despacho presidencial, além deste comité, que terá a responsabilidade de desenvolver modelos organizativos, identificar oportunidades operacionais, quantificar "o potencial de melhoria da Sonangol" e estudar o "melhor modelo de organização para condução da Indústria Nacional de Petróleo e Gás", foi ainda instituída a comissão de Reajustamento da Organização do Sector dos Petróleos.
Esta comissão, que vai decidir sobre as propostas do comité, deverá apresentar uma "estratégia integrada" e "modelos organizativos eficazes" para "aumentar a eficiência do sector petrolífero nacional".
Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, com cerca de 1,7 milhões de barris por dia, mas as operadoras internacionais têm-se queixado do aumento dos custos de produção no país nos últimos anos, associado à forte quebra da cotação do barril de crude nos mercados.
Além destas medidas, também está em preparação a reestruturação da empresa pública Sonangol, conforme anunciado anteriormente pelo executivo.
As receitas com a exportação de crude da petrolífera angolana Sonangol caíram 44% em Setembro, face ao mesmo mês de 2015.
De acordo com um relatório do Ministério das Finanças, ao qual a Lusa teve acesso, a receita da Sonangol com a venda de petróleo ao exterior ascendeu a 82,2 mil milhões de kwanzas (489 milhões de euros) no mês de setembro.
Angola vive uma crise financeira e económica, com reflexos também ao nível cambial, devido à queda para metade com as receitas da exportação de petróleo.
A 15 de Outubro, no discurso anual do chefe de Estado, na Assembleia Nacional, sobre o Estado da Nação - lido pelo vice-Presidente Manuel Vicente devido a uma "indisposição" de José Eduardo dos Santos - foi anunciada uma reestruturação da Sonangol.
Em conferência de imprensa realizada a 13 de Julho em Luanda, o presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Francisco de Lemos José Maria, negou notícias de então, que apontavam para a falência da petrolífera estatal.


Verdades inconvenientes sobre África na perspectiva de um judeu


Caros irmãos africanos por favor leiam este texto até ao fim. É uma entrevista de um líder Judeu acerca das sociedades negras.
Jornalista: Porque que as sociedades dos negros tem uma Economia muito atrasada?

FACEBOOK

Líder Judeu: A única coisa que os negros compreendem é o Consumo. Os negros não entendem a importância de criar e construir riqueza.
A regra fundamental é manter o seu dinheiro dentro do seu grupo racial. Nós judeus construímos o negócio judaico, contratámos judeus, compramos e gastamos produtos judaicos. Não há nada de errado com isso, mas é uma regra básica que os negros não compreendem e nem seguem; "Eles matam seus companheiros negros diariamente em vez de querer ver seu companheiro preto bem sucedido" 93% dos negros mortos nos Estados Unidos e em África foram mortos por negros.
Os líderes negros roubam o seu próprio povo e enviam o dinheiro para seus colonizadores e depois o tais colonos usam o mesmo dinheiro para lhes emprestar e eles pagarem o mesmo dinheiro com juros que endividam os seus Países.
Todo negro bem sucedido, só quer gastar o seu dinheiro com os seus mestres coloniais (fora do seu País). Eles vão de férias no estrangeiro, compram casas no estrangeiro, estudam no exterior, fazem tratamento médicos no estrangeiro etc; O mais sensato séria gastar este dinheiro nos seus países para beneficiar o seu povo e a sua economia.
As estatísticas mostram que o dinheiro judeu deve trocar de mãos 18 vezes antes de deixar a sua comunidade, enquanto para os negros é provavelmente um máximo de uma vez ou mesmo zero.
Apenas 6% de dinheiro negro volta para sua comunidade. É por isso que judeus estão no topo e os negros estão na parte inferior de cada escada da sociedade.
Em vez de comprarem Louis Vuitton, Hermes, carros, sapatos, casas, vestidos de luxo, etc, os negros poderiam industrializar a África, construir bancos e se livrar de instituições coloniais, colocando-os fora do negócio.
Jornalista: Qual é o seu pensamento sobre a falha dos negros mesmo depois de 150 anos?
Líder Judeu: Bem... Nem sempre a culpa é do povo negro. Os seus hábitos compulsivos de matar seu próprio país, através do consumo compulsivo de material, o que precisas entender é que o consumo hoje se tornou parte incontornável da cultura do homem negro. A sua incapacidade de construir negócios, ou preservar riqueza, pode ser atribuída a pessoas específicas (seus Líderes).
Jornalista:Então, o que é necessário para que negros se libertem?
Líder Judeu: Os negros devem assumir as suas responsabilidades. Os negros devem se unir e lutar veementemente contra os líderes corruptos que afundam os seus respectivos países porque só sabem correr para FMI, como se FMI fosse o Papai Natal. O FMI não tem ajudado África e os africanos, e se ajuda é a um preço muito alto, tão alto que vale a liberdade financeira dos negros.
Por favor, partilhe o texto... Esta é outra verdade inconveniente do continente Africano e particularmente das lideranças Africanas parasitárias.
Adaptado por: Domingos Chicoca


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Antigo director da Petrobrás diz que Sonangol financiou campanha de Lula da Silva




Nestor Ceveró revela que as negociações foram conduzidas por Manuel Vicente, antigo presidente do Conselho de Adminsitração da Sonangol e actual vice-presidente de Angola.

Redacção VOA

A empresa angolana Sonangol é acusada de ter financiado a reeleição do antigo Presidente brasileiro Lula da Silva, em 2006, através do pagamento de luvas no valor de 50 milhões de reais (cerca de 23 milhões de dólares na altura) num negócio com a sua congénere brasileira Petrobrás.
A denúncia foi feita à justiça pelo antigo director internacional da Petrobrás Nestor Cerveró, acusado de ser um dos principais agentes do escândalo da corrupção que assola o Brasil desde o ano passado, conhecido por Lava Jato.
A revista Valor Económico revela na sua edição de segunda-feira que, de acordo com Cerveró, o dinheiro teria vindo da aquisição de  blocos de petróleo pela Petrobras à Sonangol no valor de 300 milhões de dólares.
O antigo director internacional da Petrobras disse ter descoberto o acordo através de Manuel Domingos Vicente, na altura presidente do Conselho de Administração da Sonangol e hoje vice-presidente de Angola.
“Manoel [sic] Vicente foi explícito ao afirmar que desses  300 milhões de dólares pagos pela Petrobras à Sonangol, retornaram ao Brasil como propina (luvas) para financiamento da campanha presidencial do PT, valores entre 40 milhões e 50 milhões de reais”, disse Cerveró à justiça, como indicam documentos revelados pela revista.
O ex-director internacional da Petrobras disse aos investigadores que "a referida negociação foi conduzida pelos altos escalões dos Governos brasileiro e angolano, sendo o representante brasileiro o ministro da Fazenda [Antonio] Palocci”, que já negou a sua participação no assunto
Aquele acusado de ser um dos principais agentes da operação Lava Jato e que se encontra detido, ressaltou ainda no documento que, "em 2005, houve uma oferta internacional de Angola, de venda de blocos de exploração em águas profundas, como se fosse um grande leilão”.

O documento entregue pela defesa de Cerveró à Procuradoria Geral da República diz ainda que "Nestor tinha uma relação de amizade com o Dr. Manoel [sic] Vicente [presidente da Sonangol], que em conversas mencionou textualmente a frase: ‘Porque nós somos homens do partido! Temos que atender as determinações do Partido!”.
A revista Valor Económico disse não ter conseguido falar nem com o Instituto Lula nem com vice-presidente angola Manuel Vicente.


sábado, 16 de janeiro de 2016

Isabel Higino dos Santos, a Nova Governadora de Luanda. Rafael Marques de Morais


Despejos em Luanda

Corre nos bastidores a análise segundo a qual a recente nomeação presidencial do general Higino Carneiro para governador de Luanda visa, na verdade, dar cobertura formal ao cargo que, na prática, passa para Isabel dos Santos.

Rafael Marques de Morais
MAKAANGOLA

Em Dezembro passado, Isabel dos Santos apresentou o Plano Director Geral Metropolitano de Luanda, a ser implementado num período de 15 anos. Como não podia deixar de ser, coube à Presidência da República organizar o evento, para a promoção da filha do presidente. O nepotismo tornou-se “lei” nos actos de José Eduardo dos Santos, para benefício da sua família. E para manter este estado de coisas, promove a generosidade, para com os seus fiéis, a quem permite que sigam a mesma prática.
Note-se que inicialmente o Plano Director fora lançado pelo Governo Provincial de Luanda, mas passado dois anos tornou-se uma iniciativa conjunta da Presidência e de Isabel dos Santos.
A filha do presidente não está interessada nos problemas sociais, de gestão ou das infra-estruturas de Luanda, mas sim nas oportunidades exclusivas de negócio que o pai mais uma vez lhe oferece. Com um orçamento previsto de US $15 biliões para a implementação do Plano, a cobiça pelo erário público fala mais alto. Higino Carneiro tem a mesma visão do poder, e por onde passa deixa a sua marca de negociante, não de servidor público.
Por ser um dos governantes favoritos do presidente - satisfazendo-lhe os interesses particulares e mantendo boa relação com Isabel dos Santos -, o general é a escolha mais acertada para governar Luanda.
Por exemplo, em 2006, na qualidade de ministro das Obras Públicas, Higino Carneiro procedeu à aquisição, em nome do Estado angolano e por US $74 milhões, de 49 por cento das acções que a Cimpor portuguesa detinha na Nova Cimangola. No dia seguinte, essas acções foram transferidas para Isabel dos Santos.
Como nota um jornalista veterano, “o Higino é muito vivo. Sabe antecipar-se ao que o chefe quer e satisfazê-lo. Sabe distribuir e gosta de dividir o que ganha nos seus cargos”.
Na sua tomada de posse, o general, como era de esperar, destacou, entre as suas prioridades, o Plano Director Geral Metropolitano de Luanda, liderado por Isabel dos Santos, como “necessidade urgente”. A recolha do lixo na cidade e o reforço da sua segurança também foram apontados como prioridades.
Astuto, o general é bastante aberto. Sabe difundir autoridade e promover uma auto-imagem benigna, mesmo quando nada faz para o bem público. Há já até quem acredite que ele vai resolver o problema do lixo, sob o qual se afunda a periferia de Luanda.

No seu currículo, o governador conta com passagens por três governos provinciais, incluindo como presidente da Comissão de Gestão de Luanda, em 2004.
Vale a pena uma breve resenha sobre as suas obras enquanto governador.
No Kwanza-Sul (1999-2002), para além de ter sido aplaudido por introduzir o ensino superior na província,  mereceu louvores por ter inaugurado o Festival do Sumbe (FestiSumbe) em 2001, pela criação da Feira Agro-Pecuária,  a reabilitação da Marginal e o Jardim das Misses. No entanto, conta-se como a sua maior realização o estabelecimento da sua própria fazenda, em Calulo, entre outros projectos empresariais pessoais.
Já no Kuando-Kubango (2012-Jan. 2016), o seu mais recente cargo, o governador deu maior visibilidade pública às terras do fim do mundo, como é conhecida a província.
Nos seus anos de gestão, são-lhe creditadas, como obras de vulto, a reabilitação das duas pontes que interligam a cidade, e a construção de uma ponte de ligação entre a província e a Namíbia, pelo Calai. Recebeu boa nota por ter providenciado habitação e viaturas a alguns funcionários relevantes da província, como parte da sua política de valorização de quadros. Foi durante a sua gestão que se estabeleceu a abertura da Universidade do Cuito-Cuanavale, assim como a construção da central térmica do município com o mesmo nome.
O empresariado local foi praticamente erradicado. As empresas ligadas ao general tomaram conta dos grandes negócios envolvendo o erário público. Projectos turísticos de luxo, alguns ligados à caça de elefantes e leões, passaram a ser do seu domínio particular. O garimpo de diamantes no Luiana, na zona do Rivungo, ganhou grande dimensão no seu consulado. Os serviços administrativos deterioraram-se.  
Contrariamente ao que esperam os luandenses, no Kuando-Kubango, o general deixou bastante lixo. O saneamento básico e a limpeza da cidade capital da província, Menongue, está pior. Os funcionários da empresa Sopolang, encarregada da limpeza da cidade, estão sem salários há seis meses, porque o governo provincial não paga.
No hospital pediátrico local morrem, em média, duas crianças por dia, devido à falta de medicamentos básicos e de atendimento adequado. Na maternidade local, são realizadas cirurgias à luz de velas.
Portanto, estamos bem servidos. O país é deles